Fiscalização técnica avalia fios elétricos em operação do Procon-RJ
Crédito: Moises Rodrigues

Procon-RJ encontra fios elétricos irregulares em três lojas da Chatuba; operação tem alcance nacional

Fiscalização realizada com apoio do SINDICEL identificou cabos fora das normas técnicas sendo vendidos como certificados. Produtos podem causar incêndios, choques elétricos e aumento no consumo de energia.

Uma operação do Procon-RJ, com suporte técnico do SINDICEL, identificou fios elétricos irregulares em três unidades da rede Chatuba no Rio de Janeiro. O material, vendido como se fosse certificado, apresentou resultados incompatíveis com os padrões exigidos por normas brasileiras de segurança elétrica.

A ação integra um conjunto de fiscalizações que já estão sendo realizadas em diferentes estados do país.

Bobinas de fios elétricos analisadas pela fiscalização
Crédito: Moises Rodrigues

Produto certificado apresentava falhas técnicas

De acordo com a equipe técnica, os fios analisados apresentavam condutor abaixo das dimensões declaradas, isolação inadequada e comportamento térmico fora dos limites permitidos. Esses fatores aumentam o risco de superaquecimento, curto-circuito e incêndios.

Instalações elétricas mal executadas ou com materiais irregulares estão entre as principais causas de acidentes domésticos no Brasil.

Imagens da fiscalização nas unidades da Chatuba — Crédito: Moises Rodrigues

Certificação da Ability é alvo de questionamentos

Representante do SINDICEL durante operação de fiscalização
Crédito: Moises Rodrigues

Os fios irregulares possuíam certificação da Ability, certificadora que já é alvo de denúncias e investigações por aprovar produtos que não atendem aos requisitos mínimos estabelecidos pelo Inmetro.

Segundo Ênio, representante do SINDICEL:

“A Ability já tem uma ação do sindicato no Ministério Público. São mais de 60 marcas certificadas por eles, e mais de 90% estão fora da norma. O próprio Inmetro já confirmou essa informação.”

A declaração reforça a necessidade de revisão e fiscalização mais rígida no processo de certificação de materiais elétricos.

Fios elétricos irregulares avaliados durante fiscalização
Crédito: Moises Rodrigues

Três unidades da Chatuba vendiam material irregular

As irregularidades foram encontradas em três lojas da Chatuba. Por se tratar de uma rede reconhecida e com grande circulação de consumidores, o caso gerou preocupação entre especialistas.

Ênio afirmou:

“É um comerciante muito grande no Rio, muito conhecido. E infelizmente colocou produtos fora de conformidade dentro de três lojas da rede.”

Equipe de fiscalização em corredor de loja de materiais elétricos
Crédito: Moises Rodrigues

Risco para o consumidor: incêndio, choques e aumento de energia

Entre os principais riscos associados ao uso de fios fora da norma estão:

  • Superaquecimento do cabo devido à baixa capacidade de condução;
  • Curto-circuitos provocados por isolação insuficiente;
  • Choques elétricos em instalações comuns;
  • Queima de aparelhos eletrodomésticos e sobrecarga da rede;
  • Aumento da fatura de energia, já que a instalação trabalha com maior resistência elétrica.

Especialistas recomendam que consumidores busquem orientação técnica e evitem adquirir materiais com preços muito abaixo do padrão de mercado.

Equipe durante fiscalização com apoio do SINDICEL
Crédito: Moises Rodrigues

Operação tem alcance nacional e auditoria gratuita

Segundo o SINDICEL, a ação que teve início no Rio faz parte de uma força-tarefa nacional destinada a identificar materiais elétricos irregulares em todo o país.

Em áudio enviado à reportagem, Ênio afirmou:

“Pode colocar: essa operação está sendo feita em todo o território nacional. E se alguma pessoa quiser fazer uma auditoria nos cabos de construções entregues até dois anos, a gente faz gratuitamente, tá?”

A auditoria gratuita pode ajudar consumidores, síndicos e construtoras a identificar irregularidades antes que ocasionem acidentes.

Fios elétricos reprovados em análise técnica
Crédito: Moises Rodrigues

Próximos passos

Após a confirmação das falhas, o Procon deverá solicitar explicações formais da rede Chatuba, determinar a retirada dos produtos das lojas, acionar a certificadora responsável pelo material e encaminhar o caso ao Ministério Público.

As fiscalizações devem continuar nos próximos dias em outras regiões do Brasil.

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By Portal Globo

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