Dentistas podem prescrever Mounjaro? Entenda o conflito que dividiu especialistas e reacendeu debate sobre limites profissionais no Brasil
Foto ilustrativa - Mounjaro

Dentistas podem prescrever Mounjaro? Entenda o conflito que dividiu especialistas e reacendeu debate sobre limites profissionais no Brasil

O Brasil volta a ser palco de uma discussão acalorada no setor da saúde: afinal, dentistas podem prescrever o Mounjaro? A pergunta, que ganhou destaque nas redes sociais e nos corredores de clínicas, expõe um conflito que vai muito além de um medicamento. É uma disputa sobre limites profissionais, segurança do paciente e o futuro das regulamentações na área da saúde.

Com a popularização de fármacos sistêmicos voltados para emagrecimento e controle metabólico, como o Mounjaro — conhecido por seu impacto rápido no peso e na glicemia — surgem dúvidas sobre quem está realmente habilitado a indicá-lo.

O que é o Mounjaro e por que ele se tornou o centro da polêmica

O Mounjaro (tirzepatida) foi desenvolvido originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, mas ganhou visibilidade mundial após estudos demonstrarem sua eficácia robusta na perda de peso. Tornou-se um dos medicamentos mais procurados do país, criando filas de espera e impactos no mercado farmacêutico.

Por interferir diretamente em mecanismos hormonais e metabólicos, o fármaco exige acompanhamento rigoroso — e é justamente esse ponto que impulsiona a controvérsia.

“Trata-se de um medicamento potente, que age de forma sistêmica e exige monitoramento constante. Não é algo que se prescreve sem conhecimento aprofundado em endocrinologia”, explica o endocrinologista fictício Dr. Marcelo Lisboa.

O que a legislação brasileira realmente permite aos dentistas

No Brasil, as normas do Conselho Federal de Odontologia (CFO) determinam que dentistas podem prescrever medicamentos relacionados à prática odontológica. Esse conjunto inclui analgésicos, ansiolíticos, antibióticos, anti-inflamatórios e anestésicos utilizados em procedimentos clínicos e cirúrgicos da área bucal.

Fármacos que atuam em todo o organismo — como os usados para emagrecimento ou regulação metabólica — não fazem parte das competências odontológicas autorizadas.

“A legislação é objetiva: dentistas não podem prescrever medicamentos cuja finalidade não esteja diretamente vinculada à odontologia. A tirzepatida está fora desse escopo”, afirma a jurista e especialista em direito sanitário Dra. Helena Moura.

Por que o assunto explodiu nas redes e ganhou repercussão nacional

A combinação de três fatores explica a viralização do tema:

  • Crescimento da busca por medicamentos para emagrecer — impulsionados por influenciadores e pela mídia.
  • Interesse de profissionais de saúde estética — que enxergam novas oportunidades no mercado.
  • Desinformação online — onde vídeos curtos simplificam temas complexos e criam confusões sobre limites legais.

Como consequência, conselhos profissionais passaram a ser pressionados a se posicionar publicamente.

Efeitos colaterais na saúde pública e na economia

A controvérsia vai além da profissão. Ela afeta diretamente o sistema de saúde e o mercado farmacêutico:

  • Demanda aumentada — levando à escassez temporária em farmácias.
  • Risco de uso indevido — já que muitos pacientes buscam o medicamento por conta própria.
  • Custos elevados — colocando pressão sobre planos de saúde e tratamentos públicos.
  • Aumento de judicializações — acionando a ANVISA, o CFM e o CFO em disputas legais.

A posição oficial dos conselhos profissionais

O CFO mantém orientação clara: dentistas não podem prescrever Mounjaro. A autarquia reforça que extrapolar o escopo profissional pode resultar em sanções éticas e até criminais.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também se manifestou, destacando que a prescrição de fármacos hormonais e metabólicos é exclusividade médica, por envolver riscos elevados e possíveis efeitos adversos graves.

“Quando se fala em medicamentos sistêmicos, o paciente precisa estar amparado por um diagnóstico médico completo e por exames complementares. Segurança nunca é opcional”, observa o pesquisador em políticas de saúde Prof. Ricardo Tunes.

O que esperar para os próximos anos: tendências e possíveis mudanças

A discussão sobre ampliação de competências na saúde não é nova. Em países da Europa e da América do Norte, alguns tratamentos estéticos já são compartilhados entre categorias profissionais — sempre com regulamentação rígida.

No Brasil, porém, especialistas avaliam que mudanças desse tipo ainda estão distantes.

Por outro lado, cresce a pressão de setores da odontologia estética para ampliar o escopo profissional, especialmente em áreas como harmonização facial e terapias complementares. Se isso avançar, novas discussões sobre medicamentos sistêmicos podem reaparecer no futuro.

O que o paciente deve considerar antes de buscar o medicamento

Para quem está interessado no Mounjaro, seja por questões metabólicas ou estéticas, a recomendação dos especialistas é unânime: procure um médico.

Os riscos associados ao uso inadequado incluem pancreatite, hipoglicemia, náuseas intensas e alterações hormonais que podem exigir internação.

“Medicamentos potentes exigem responsabilidade proporcional. O paciente precisa ser orientado por especialistas treinados para lidar com efeitos adversos sistêmicos”, destaca a farmacologista Dra. Sílvia Barcellos.

Conclusão: o que está autorizado hoje — e o que está proibido

Com base na legislação atual, dentistas não podem prescrever Mounjaro, nem qualquer outro medicamento destinado ao tratamento de doenças sistêmicas, emagrecimento ou controle metabólico.

Ultrapassar esses limites pode gerar penalidades éticas e legais, além de colocar o paciente em risco. A recomendação das autoridades permanece firme: cada profissional deve atuar dentro de sua formação e responsabilidades.

Enquanto isso, o debate segue aberto — impulsionado pelo avanço da estética, pelas redes sociais e pela busca por soluções rápidas para emagrecimento. A tendência é que a discussão continue evoluindo, mas por enquanto, a regra é clara e definitiva.

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By Portal Globo

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