Trilhões sob o solo: por que a maior reserva de petróleo do mundo não salva a Venezuela

Trilhões sob o solo: por que a maior reserva de petróleo do mundo não salva a Venezuela

A Venezuela ocupa uma posição singular no mapa energético global. O país concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, com um valor estimado em aproximadamente US$ 18,4 trilhões. Ainda assim, essa riqueza monumental convive com uma das crises econômicas e sociais mais profundas da história recente da América Latina.

O contraste entre abundância natural e escassez econômica levanta questionamentos sobre governança, gestão de recursos e o papel do petróleo no desenvolvimento sustentável.

Uma riqueza que impressiona o mundo

As reservas venezuelanas superam as de grandes produtores tradicionais, como Arábia Saudita e Irã. A maior parte desse petróleo está localizada na Faixa do Orinoco, uma área estratégica que abriga enormes volumes de óleo pesado e extrapesado.

“Em termos de volume, a Venezuela está em um patamar que poucos países jamais alcançarão”, afirma o geólogo e consultor energético Luiz Fernando Costa.

Essa concentração de recursos coloca o país em posição central nas discussões globais sobre segurança energética e oferta futura de petróleo.

O desafio do petróleo pesado

Diferentemente do petróleo leve produzido em outras regiões, grande parte do óleo venezuelano exige processos complexos de extração e refino. Isso encarece a operação e torna indispensável o uso de tecnologia avançada.

“É um petróleo caro de produzir. Sem capital, tecnologia e escala, ele simplesmente não sai do chão”, explica a engenheira de petróleo Daniela Azevedo.

Essa característica técnica aumenta a dependência de investimentos estrangeiros e parcerias internacionais, hoje limitadas por sanções e riscos políticos.

Queda histórica na produção

A Venezuela já produziu mais de 3 milhões de barris de petróleo por dia. Atualmente, esse número representa apenas uma fração do que já foi no passado. Refinarias deterioradas, oleodutos comprometidos e falta de manutenção impactaram diretamente a capacidade produtiva.

“A indústria petrolífera venezuelana foi se deteriorando ao longo de anos, até perder competitividade global”, avalia o analista de mercado energético Bruno Silveira.

Além disso, o êxodo de profissionais qualificados reduziu ainda mais a capacidade operacional do setor.

Petróleo não garante prosperidade

A experiência venezuelana reforça um conceito amplamente discutido na economia: riqueza natural não é sinônimo automático de desenvolvimento. Países sem instituições sólidas tendem a enfrentar dificuldades para converter recursos em bem-estar social.

“O problema não está no petróleo, mas na forma como ele é administrado”, destaca a economista e pesquisadora social Helena Pires.

Mesmo com reservas trilionárias, a população enfrenta inflação elevada, baixa renda e deterioração dos serviços públicos.

Disputa geopolítica e interesse internacional

O valor estratégico das reservas venezuelanas atrai o interesse de grandes potências globais. Estados Unidos, China e Rússia acompanham de perto qualquer sinal de mudança política que possa abrir espaço para novos acordos energéticos.

“O petróleo garante à Venezuela relevância geopolítica, mesmo em um cenário de fragilidade econômica”, analisa o professor de relações internacionais Rodrigo Meirelles.

Essa disputa por influência adiciona complexidade ao futuro do setor e às decisões políticas do país.

O que seria necessário para mudar esse cenário?

Especialistas apontam que a transformação dessa riqueza potencial em crescimento real exigiria estabilidade política, segurança jurídica, reformas institucionais e investimentos bilionários em infraestrutura.

“Sem previsibilidade e confiança, o capital internacional não retorna”, afirma a consultora de risco político Juliana Nascimento.

Mesmo em um cenário otimista, a recuperação plena da indústria petrolífera venezuelana levaria anos.

Conclusão

As reservas de petróleo da Venezuela representam uma das maiores riquezas naturais já identificadas no mundo, avaliadas em cerca de US$ 18,4 trilhões. No entanto, a distância entre potencial e realidade permanece enorme.

Enquanto não houver mudanças profundas no ambiente político, econômico e institucional, o petróleo venezuelano continuará sendo um símbolo poderoso de oportunidades gigantescas ainda não realizadas.

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By Portal Globo

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