Caso de furto doméstico levanta debate: perito do trabalho explica como agir sem ultrapassar a lei
Um caso registrado em Juiz de Fora (MG) ganhou repercussão nacional: um idoso de 70 anos instalou câmeras em casa e flagrou sua empregada furtando dinheiro. O vídeo gerou indignação nas redes sociais, mas também levantou um debate importante — até onde o empregador pode ir na hora de reagir?
O perito do trabalho Edgar Bull analisa o episódio e alerta para a necessidade de manter a calma, agir com respaldo jurídico e evitar atitudes precipitadas.
“É uma situação delicada e dolorosa. O furto dentro do ambiente de trabalho é uma falta gravíssima, e também um crime. Mas o empregador precisa tomar cuidado para não ultrapassar os limites legais ao reagir”, afirma Bull.
Como agir corretamente
O especialista orienta que a primeira atitude deve ser reunir provas seguras: imagens, testemunhas e boletim de ocorrência. Essas evidências são fundamentais para embasar a denúncia e garantir a segurança jurídica do caso.
“Antes de qualquer medida, é essencial ter provas concretas. O registro adequado evita injustiças e protege o empregador contra acusações de abuso”, explica.
O perigo da exposição pública
Segundo o perito, é comum que a indignação leve à exposição do suspeito nas redes sociais — mas essa atitude pode gerar um novo problema jurídico.
“A reação não pode ultrapassar os limites da lei. Expor o trabalhador ou agir por impulso pode resultar em outro processo, agora contra o próprio empregador”, adverte Bull.
Justa causa e respaldo legal
Nos casos em que o furto é comprovado, a demissão por justa causa é uma medida cabível, desde que acompanhada de documentação formal e, se necessário, do envolvimento das autoridades policiais.
“A CLT trata o furto como uma falta gravíssima, mas exige procedimento formal e comunicação adequada. A pressa ou o improviso podem comprometer o processo”, complementa o perito.
Orientação final
Para Edgar Bull, o caso de Juiz de Fora deve servir de exemplo para empregadores e empresas: a justiça se faz com equilíbrio, não com emoção.
“Agir com prudência é o caminho mais seguro. A indignação é humana, mas a resposta deve ser técnica e legal”, conclui.

